Síndrome da bexiga dolorosa | Cistite Intersticial | Dr. Gustavo Battistetti

Sistema Urinário

Síndrome da bexiga dolorosa | Cistite Intersticial

DEFINIÇÃO

A Síndrome da bexiga dolorosa (SBD) é caracterizado por dor, desconforto ou sensação de pressão na região pélvica ou na região da bexiga acompanhado de alguns sintomas urinários como aumento da frequência urinária, nocturia (acordar várias vezes para urinar), polaciúria (vontade de urinar mesmo com a bexiga vazia podendo ou não estar associada a dor ou ardência), dificuldade de urinar e sensação de urgência para urinar.

Esses sintomas devem estar presentes por mais de 6 semanas na ausência de outras patologias específicas como infecção urinária ou outra causa identificável.

Limitou-se a Classificação de Cistite Intersticial para os casos de Síndrome da Bexiga Dolorosa nos quais há achados cistoscópios e histopatológicos típicos (alteração observadas no exame de cistoscopia e na biópsia da bexiga)

Em alguns casos os pacientes também podem se queixar de dor em toda a bacia, uretra, vulva, vagina, reto e regiões extragenitais como a parte inferior do abdome e região lombar. Também é frequente a queixa de dor durante relações sexuais (dispareinia)

Em alguns casos o paciente pode referir dor que se agravou com o consumo de alguns alimentos ou bebidas, e/ou piorou com o enchimento da bexiga e/ou teve alívio dos sintomas com o esvaziamento da bexiga.

Adicionalmente, a dor, que pode ser mais ou menos severa, dependendo de cada caso, essa doença traz também momentos de irritabilidade, intolerância, aflição e episódios depressivos.

Em muitos casos essa condição resulta em piora importante da qualidade de vida, com impacto nas atividades diárias, no sono, nas relações sexuais, nos relacionamentos interpessoais e familiares. Resultando em quadros de ansiedade, depressão, estresse e, em casos mais graves, de desemprego.


Distúrbios comumente associadas em pacientes com síndrome da bexiga dolorosa:

• Síndrome do intestino irritável

• Alergias

• Fibromialgia

• Sindrome da fadiga crônica

• Vulvite

• síndrome de Sjögren

• Doença inflamatória intestinal.



EPIDEMIOLOGIA

As mulheres são muito mais acometidas que os homens. Estima-se que a cada 100.000 mulheres, 300 desenvolvem a síndrome, enquanto que entre os homens a frequência é bem menor, 30-60 a cada 100.000.



ETIOLOGIA

A etiologia e a fisiopatologia ainda não foram elucidadas, mas mecanismos neurológicos centrais, fatores genéticos, imunológicos e infecciosos parecem estar envolvidos.



DIAGNÓSTICO

É comum existir uma demora de aproximadamente cinco anos na realização do diagnóstico, com ao menos dois atendimentos prévios em serviços diferentes. Possivelmente isso se deve á complexidade dos sintomas e a não inclusão precoce desta possibilidade no diagnóstico diferencial.

Muitos autores preconizam o diagnóstico com base apenas em dados clínicos obtidos com a anamnese.

Exames que podem ser solicitado pelo médico inclui exames de urina, ultrassonografia e citologia urinária para pessoas de grupo de risco para tumores uroteliais.

Estudo urodinâmico e cistoscopia também podem ser solicitados em alguns casos.



TRATAMENTO

A SBD não tem uma cura bem definida. Existem, no entanto, diversos tratamentos dirigidos que permitem aliviar os sintomas.

Os objetivos do tratamento são otimizar a qualidade de vida e incentivar expectativas realistas dos pacientes.

Os pacientes devem receber informação e ações educacionais acerca de seu problema, esclarecer os objetivos do tratamento e ponderar que nenhum tratamento disponível foi capaz de contemplar a resolução de todos os sintomas. Esclarecer que mudanças comportamentais podem ser necessárias para controlar o quadro, como por exemplo:

• Restrição ou aumento da hidratação conforme o caso;

• Aplicação de calor ou frio sobre a região pélvica ou períneo;

• Evitar Alimentos reconhecidos pelo paciente como irritantes vesicais (café, cítricos, entre outros)

• Medidas gerais para implementar a percepção de qualidade de vida (meditação, relaxamento muscular, etc).


É importante observar que os pacientes não devem tomar antibióticos na ausência de infecção comprovada.

De acordo com Guideline da AUA (associação americana de urologia), os tratamentos são divididos em Primeira, Segunda, Terceira e Quarta linha.



Tratamento de primeira linha

Inicialmente indicar terapias conservadoras como dietas e mudanças do estilo de vida. Outras modalidades terapêuticas podem ser aplicadas dependendo da resposta clínica e padrão de qualidade de vida atingido com o tratamento anterior.

O manejo da dor e qualidade de vida são focos primários do tratamento. Se este for ineficaz na forma de monoterapia, o tratamento multimodal deve ser considerado.

O diagnóstico de Síndrome da bexiga dolorosa / cistite intersticial deve ser reconsiderado se não ocorrer melhora após múltiplas abordagens de tratamento.

Outros profissionais também podem auxiliar no tratamento como nutricionistas, fisioterapeutas, especialistas em dor, psicólogos alem de grupos de apoio ao paciente, o que chamamos de abordagem multidisciplinar.

Modificações na dieta podem ajudar a reduzir sintomas desencadeados por alimentos muito ácidos, apimentados e ricos em potássio. A redução da cafeína e do tabagismo também podem minimizar os sintomas. Outras medidas como exercícios físicos, redução do estresse e banhos quentes também podem melhorar a qualidade de vida.

Em pacientes que apresentam dor leve com o enchimento vesical, o treinamento vesical com estabelecimento de micção em horários fixos pode reduzir os sintomas.

A fisioterapia pode ajudar a relaxar a musculatura do assoalho pélvico em pacientes que apresentam espasmos.


Lista de alimentos que podem piorar os sintomas:

• Cafeína (Café, chá e Tereré);

• Condimenta;

• Apimentados;

• Bebida alcoólica;

• Cigarro;

• Alimentos ácidos (laranja e limão e abacaxi);

• Refrigerante;

• Chocolate;

• Produtos derivados de tomate;

• adoçantes artificiais;

• Importante ingerir por volta de 2 litros de água por dia


Obs. Existe um variação de pessoa para pessoa, portanto é importante que cada paciente avalie individualmente qual alimento apresenta agravamento dos sintomas antes de ser retirado da sua dieta.

O tratamento medicamentoso pode ser iniciado com analgesia simples através de anti-inflamatórios de baixa potência progredindo para os de alta potência dependendo da resposta.

Os opiáceos podem ser usados quando todos os outros tratamentos razoáveis foram tentados e falharam.



Tratamento de segunda linha.

O tratamento de segunda linha deve ser iniciado em pacientes que não responderam ao tratamentos de primeira linha e consiste em medicamentos via oral e medicamentos aplicados diretamente na bexiga (aplicação intravesical)

Medicamentos via oral:

Amitriptilina, anti-histamínicos, polissulfato de pentosano, cimetidina, hidroxizina, pregabalina e gabapentina.

Esse medicamentos devem ser testados um de cada vez e trocados quando forem ineficazes. Se houver uma melhora moderada um outro medicamento deve ser adicionado.

Medicamentos de aplicações intra-vesicais. (Aplicados diretamente dentro da bexiga):

DMSO, lidocaína, heparina, hialuronato de sódio e polissulfato de pentosano.

Estes tratamentos estão associados a menores efeitos colaterais que os medicamentos orais.



Tratamento de terceira linha.

Inclui procedimentos pouco invasivos realizados através da cistoscopia sob anestesia.

• Hidrodistensão da bexiga: Enchimento da bexiga a uma pressão de 80cmH2O.

• Ressecção ou eletrocalterização das úlceras de Hunner (ulcerações na bexiga típicas de cistite intersindical)



Tratamento de quarta linha.

Última linha de tratamento, deve ser instituído somente em pacientes que não responderam aos tratamentos anteriores, inclue procedimentos mais invasivos como Neuromodulação do nervo sacral, Aplicação de Toxina botulínica na bexiga, Ciclosporina oral e, por último, cirurgias de grande porte como a cistoplastia (cirurgia para aumentar a capacidade de armazenamento da bexiga através da ampliação vesical), cistectomia (retirada da bexiga) e cirurgias de desvio urinário com ou sem a retirada da bexiga. Com estes procedimentos cirúrgicos os pacientes apresentam melhora completa dos sintomas em 63% dos casos e melhora parcial em 25%. No entanto, os pacientes devem ser avisados que podem apresentar recorrência dos sintomas mesmo após esses procedimentos.

É importante entender que se trata de uma doença crônica e costuma ser de difícil controle com o paciente apresentando períodos de melhora e piora ao longo da vida.

Dr. Gustavo Battistetti

Formado na faculdade de medicina da universidade federal do Mato Grosso do sul Residencia em cirurgia geral na santa casa de misericórdia de Campo Grande Residencia de urologia na santa casa de misericórdia de campo grande Titulo de especialista pela sociedade brasileira de urologia (TiSBU).

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