Câncer de pênis - Gustavo Battistetti

Sistema Reprodutor

Câncer de pênis

O câncer de pênis é uma doença muito rara, representando 1% de todos os canceres em homens e acomete mais os idosos.

O mais comum tipo de câncer de pênis é o carcinoma de células escamosas e corresponde a 95% de todos os canceres de pênis. Outros tipos mais raros são: Sarcoma de Kaposi, carcinoma de células basais, melanoma, sarcoma e doença de Paget. Metástases de outros canceres para o pênis sao muito raras mas podem ocorrer de câncer de bexiga, próstata, reto e outros.

Fatores de riscos

  1. Vírus HPV

    Verrugas causadas pelo vírus hpv principalmente os subtipos 16,18 e 21 parecem estar associado com 50 a 90% dos casos.

  2. Má higiene

    A má higiene ou a higiene dificultada devido a fimose ou mesmo somente a nao retirada do prepúcio (circuncisão) durante a infância parece estar relacionado com irritação crônica devido ao smegma (sujeira esbranquiçada que forma no pênis) e inflamações crônica e isto pode levar ao desenvolvimento de câncer. Em Israel, onde a circuncisão é realizada por motivos religiosos praticamente nao existe câncer de pênis.

  3. Geografia

    Mais comum em partes da Asia, Africa e America do sul. Chegando a representar de 10 a 20% dos canceres em homens nestas regiões. Infelizmente o Brasil é o pais com a maior incidência de casos em todo mundo.

Disseminação

O câncer de pênis geralmente tem inicio com uma pequena lesão de crescimento lento na glande (48%), prepúcio (21%), glande e prepúcio (9%), sulco coronal, região de transição da glande com o prepúcio, (6%) ou haste do pênis (2%). Esta lesao inicialmente tem um crescimento superficial e depois entra numa fase de crescimento profundo invadindo corpo cavernoso, uretra e finalmente períneo, pelve e próstata.

Metastase ocorrem primeiramente para linfonodos da região da virilha (linfonodos inguinais superficiais e profundos posteriormente) e subsequentemente para dentro da pelve (linfonodos ilíacos e obturador).

Metástases pela corrente sangüínea para ossos, pulmão e fígado sao raras (1 a 10% dos casos).

Tratamento

O tratamento do câncer de pênis é essencialmente cirúrgico. Retirando-se o tumor primário e posteriormente os linfonodos caso estejam comprometidos.

Existe técnicas mais conservadoras como ablação com laser, crio-ablação (gelo), radioterapia, braquiterapia e cirurgias conservadroas que preservam o pênis mas sao reservadas para casos iniciais e lesões pouco agressivas.

Para os demais casos o tratamento consiste na amputação parcial ou total do pênis. O paciente deve estar preparado para os resultados cosméticos e funcionais muito ruins como dificuldade ou incapacidade de relações sexuais, possibilidade de ter que sentar para urinar e estenose de meato (fechamento do novo orifício urinário) devido o processo de cicatrizarão.

Radioterapia e braquiterapia são alternativas nao cirúrgicas de tratamento porem apresentam altas taxas de recorrência (30 a 50%).

Geralmente um mês após a cirurgia, o paciente é reavaliado e aquele que ainda mantém os gânglios da virilha aumentados (adenomegalia em linfonodos inguinais) são submetidos á cirurgia para retirada dos mesmos, pois após este período a persistência desse aumento provavelmente é causado por disseminação do tumor. Em casos de tumor mais agressivo ou em estagio mais avançado essa retirada dos linfonodos da virilha é feito de forma sistemática, independente de estarem aumentados, pois a chance de estarem acometidos é maior.

Pacientes com metástases a distância são tratados com quimioterapia sistêmica.

Prognóstico (esperança de vida)

Pacientes que fazem o tratamento antes de terem os linfonodos acometidos tem uma sobrevida muito boa, 65 a 90% sobrevivem após 5 anos do tratamento. Ja aqueles que apresentam acometimento dos gânglios, essa taxa cai para 30% e aqueles com metástase a distância menos de 10% sobrevivem após 5 anos do tratamento.

Dr. Gustavo Battistetti

Formado na Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul. Residência em Cirurgia Geral na Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande. Residência de Urologia na Santa Casa de Misericórdia de Campo Grande. Título de especialista pela Sociedade Brasileira de Urologia (TiSBU).

Gustavo Battistetti - Doctoralia.com.br